O judoca, medalhista olímpico e apresentador de programa de televisão Flávio Canto é um grande entusiasta do esporte e não só como atleta. Ele é fundador do Instituto Reação, uma organização não-governamental “que
promove o desenvolvimento humano e a inclusão social por meio do esporte e da educação
”, segundo descrição da própria instituição.

Assim como o Programa Vencer, os projetos que têm como base a prática de judô do Instituto
Reação (que iniciou suas atividades em 2003 e hoje atua em sete localidades diferentes no Rio de Janeiro e no Espírito Santo), buscam no esporte seu potencial de transformação social.

Flávio acredita que os jovens sentem-se muito atraídos pelo esporte e é a partir desta relação que é possível trabalhar questões como coragem, determinação e solidariedade. “A gente consegue trabalhar o sentimento de pertencimento à sociedade, que muitas vezes está perdido, e melhorar a autoestima dos nossos alunos. O foco passa a ser o treino, as aulas e, no caso do Reação, até mesmo a luta por uma medalha.

A família também tem um papel fundamental em iniciativas como o Programa Vencer e o Instituto Reação. É preciso que ela participe ativamente da vida dos alunos, que os incentivem constantemente. Como brinca o judoca, “a família é o técnico e nós somos o auxiliar técnico”.

O Instituto Reação nasceu da vontade do atleta de ajudar pessoas que conheceu no judô. “Comecei a lutar ainda criança e acabei me destacando e viajando bastante por causa do esporte, mas sabia das dificuldades dos vários amigos que fiz ao longo da minha carreira”.

O embrião do que hoje é a ONG começou com doações pessoais a instituições sociais e outras ações filantrópicas. No entanto, no ano 2000 uma dificuldade acabou se tornando o passo fundamental para a criação do Instituto: Flávio perdeu a seletiva para as Olimpíadas de Sydney e teve que ir à competição como reserva.

Foi então que, em vez de ficar desmotivado, o judoca decidiu ir mais fundo em sua atuação social e começou a dar aulas de judô na comunidade da Rocinha (em São Conrado, zona sul do Rio) como voluntário do projeto “Educação Criança Futuro”. “O projeto era financiado pela Prefeitura e, com a troca de mandato, logo depois, o aporte financeiro acabou sendo cancelado. Foi aí que nasceu o Instituto Reação. Eu e uns amigos, que também se tornaram voluntários, doávamos o quanto podíamos e conseguimos continuar com as aulas para meninos e meninas carentes da Rocinha. Com o tempo, o projeto cresceu, ganhou mais voluntários e a parceria de empresas financiadoras”, lembra Flávio.

O objetivo principal do Instituto é a transformação social. O atleta sabe e defende que o esporte é um excelente caminho para a criança e o adolescente desenvolverem mente e corpo. Ele é essencial para o crescimento o indivíduo como um todo e tem a capacidade de integrar crianças e jovens de comunidades na sociedade, reduzindo os preconceitos e estereótipos.

Com base nessa filosofia, hoje o Instituto Reação possui três principais programas: o Reação Escola de Judô e Luta, que consiste em aulas de judô, ao mesmo tempo em que são trabalhados os conceitos relacionados à educação pelo esporte; o Reação Educação, que oferece oficinas educacionais para as crianças e adolescentes participantes do programa Reação Escola de Judô e que tem como objetivo desenvolver habilidades sociais, pessoais, produtivas e cognitivas, além de viabilizar o ingresso dos melhores alunos do Instituto em organizações particulares de ensino fundamental, médio e superior (atualmente, cerca de 40 alunos possuem bolsas de estudo em instituições parceiras); e, por fim, o Reação Olímpico (que acontece na Rocinha, o primeiro polo do Instituto), que visa identificar os melhores alunos das aulas de Judô para desenvolver atletas de alto rendimento, capazes de participar de competições nacionais e internacionais.

O Instituto Reação e o Programa Vencer são exemplos bem-sucedidos de projetos que enxergam os muitos benefícios para além dos físicos e com relação à saúde da prática esportiva. Iniciativas como essas são a prova de que é possível promover o desenvolvimento pleno de crianças, adolescentes e jovens como cidadãos, melhorando seu convívio familiar, escolar e social.

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